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terça-feira, 31 de maio de 2016

Portugueses: a diferença entre Cabrões & Burgueses


Odeio Burgueses. Principalmente aqueles que desfilam de língua afiada, iPhone no bolso e copo de Gin na mão – são os chamados Burgueses Modernos. Se ainda houver espaço para odiar mais alguma coisa, aqui vai: odeio Burgueses de Blogs. Aqueles que se fazem valer de horas à procura de expressões que embelezem a sua escrita para ficarem bem vistos na blogosfera. Sim, porque geralmente todo o Burguês tem um blog. Porquê? Porque um Blog é "de borla" (coisa que o Burguês anda sempre à procura, porque simplesmente não passa de um teso como todos nós) e principalmente porque assim permite-se mostrar ao mundo com toda a sua magnificência quando vai de férias, quando vai às compras, quando viaja, etc, etc, etc...

A ferramenta preferida do Burguês é o Instagram. Depois o Twitter, já que o Facebook está "demodé"; como qualquer Burguês se acha a última bolacha do pacote, também se acha com poder suficiente para ser um opinion-maker.

A ferramenta preferida do Burguês é o Instagram. Depois o Twitter, já que o Facebook está "demodé"; como qualquer Burguês se acha a última bolacha do pacote, também se acha com poder suficiente para ser um opinion-maker. A opinião do Burguês é soberana, porque sabe que todos os carneiros amestrados que o seguem (vulgo, todos os burgueses) vão concordar consigo.

O Burguês Português é um teso. Tem a mania das grandezas, veste roupa de marca, usa perfumes de marca que todos os outros burgueses usam, mas não tem dinheiro para pagar um jantar ao amigo/amiga ou sequer para comprar comida de qualidade – o Burguês só sabe fazer ovos estrelados, bifes insossos e abrir latas de salsichas. O Burguês é aquele que tem toda a lata do mundo para dizer que se esqueceu da carteira no carro, ou qualquer desculpa para não pagar, e nem vergonha na cara tem quando o faz.

O sonho de qualquer Burguês é ter um Blog de "Fashion e Lifestyle"


Para além dos burgueses, há outra espécie que odeio: os Cabrões. Os Cabrões são aquela classe de Burguês que é efectivamente pobre. Que usa perfumes do Continente. Que vai a correr para o supermercado em todos os dias 1 de Maio, porque ouviu dizer que nesse dia "tudo o que meter no carrinho não paga". O Cabrão, assim como o Burguês, não tem vergonha nenhuma na cara. Vai aos sítios onde o irmão Burguês também vai, porque também quer "aparecer" – qual emplastro – nos locais mais In, onde vai tirar montes de "selfies" – tal como o Burguês – mas para as colocar no "Face". Sim, porque ao contrário do que o Burguês acha, o Cabrão acredita que o "Face" é que é. Aliás, o Cabrão adora "Likes" nas suas fotos. Pedinchar por um "Like" é tão vulgar para o Cabrão, como escrever legendas em inglês ou ir a casamentos o é para o Burguês.

O sonho de qualquer Cabrão é entrar no "Secret Story" ou algo semelhante


O problema do Cabrão com o Instagram, é efectivamente a falta de poder económico para comprar roupas decentes e como tal ficar bem nas fotos. Privado de dentes, em quantidade ou qualidade, geralmente com uma pele menos cuidada e um orgulhoso penteado "à Moicano", o Cabrão sabe que não deve mostrar os pontos fracos. Tal complexo, torna o Cabrão mais forte, mais revoltado. Como tal, cada vez que sai à rua, o Cabrão está acima de tudo, preparado para andar "à porrada". Qual Vin Diesel no seu Fiat Punto ou BMW de quarta geração, o Cabrão está sempre de faca afiada e pronto para a cabeçada.

O problema do Cabrão com o Instagram, é efectivamente a falta de poder económico para comprar roupas decentes e como tal ficar bem nas fotos. Privado de dentes, em quantidade ou qualidade, o Cabrão sabe que não deve mostrar os pontos fracos. 

Mas voltando ao Burguês. Outra característica que bem o define são os filhos: o Bernardo, o Afonso, a Maria, são as nomenclaturas atribuídas às suas crias. As crias essas, servem bem o seu propósito: mostrar ao mundo que são bem sucedidos, personificando-lhes a essência que nunca conseguiram ter.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

DIAP - Doce ou Travessura?



O parco conhecimento da nossa sociedade sobre o poder das redes sociais é isto mesmo. Todos filmam, fotografam e partilham o que lhes apetece, a seu bel-prazer. Está na moda fazê-lo, é gratuito, e desde que não se comprometa a vida íntima de ninguém, tudo bem. O problema é quando a coisa se torna viral.

Às vezes acredito que o problema do comum cidadão é viver na hipocrisia de que acha que está em dívida para com o Divino. Na ânsia de reservar o seu lugar no Paraíso, vem a público, na sua poltrona do poder anónimo, julgar como perversidade tudo o que é comportamento social fora do convencial.

A malta do Diap é isto mesmo. Igual a todos nós. Também gostam de se divertir, também gostam de dançar. Só ficaram mal na "fotografia" (ou na filmagem, neste caso) porque nenhuma das intervenientes era mais poderosa do que o anonimato permite. Ninguém sabe se trabalham 14 horas por dia ou mesmo ninguém faz ideia se a conhecida filmagem foi realizada após o horário de trabalho, ou numa hora de almoço. Sinceramente, também acho que ninguém quer saber disso para nada. A hora é de esticar a corda no pescoço alheio.

Podemos verificar no lado direito da imagem, ao deleite provocado pelo anónimo que assistia na sua poltrona


Às vezes acredito que o problema do comum cidadão é viver na hipocrisia de que acha que está em dívida para com o Divino. Na ânsia de reservar o seu lugar no Paraíso, vem a público, na sua poltrona do poder anónimo, julgar como perversidade tudo o que é comportamento social fora do convencial. Provavelmente estes que criticam, também criticam a hipocrisia da igreja. Criticam o rapto das meninas na Nigéria. Criticam o governo. Mas o mais interessante, é que à exceção de casamentos, nunca colocam os pés numa igreja, não votam, e estão simplesmente a "marimbar-se" para o que se passa fora no mundo, colocando-se sempre à margem de contribuir com a sua participação em qualquer tipo de acto solidário.



As pessoas que criticam este vídeo, são as mesmas que fingem que não vêem aqueles jovens à porta dos supermercados a procederem a recolha de alimentos para instituições ou acções de cariz social, quando passam por eles, escusando-se a proporcionar qualquer género de contribuição à causa. São aqueles que se acham mais espertos que os outros, que emitem sempre uma opinião que desconsidera a mobilização alheia por algo positivo, duvidando da legitimidade da mesma. E provavelmente, estes que mais criticam, são os que mais seriamente contribuem para a abstenção quando o País vai a votos.

Nota Final
Não estou aquí para defender as senhoras do Diap, porque considero que não há nada passível de julgamento naquele vídeo. Uma coreografia em torno de um qualquer varão, tal como o visionamento de qualquer filme pornográfico, é coisa que todos fazem, quando têm oportunidade para o fazer.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Cuidar de um filho sozinho ou a teoria do Ronaldo Super Pai



Uma das tarefas mais difíceis por parte de quem é Pai, será certamente a responsabilidade de educar os filhos sozinho. Não é um cenário muito comum, pois geralmente quando tal acontece, cabe às Mães a detenção de tal compromisso. Reconhecendo que para elas a tarefa seja igualmente exigente e difícil, o cenário ideal seria evitar que tal acontecesse, mas na vida as coisas acontecem...

O super conhecido Cristiano Ronaldo é um desses exemplos. Na responsabilidade de ser Pai e Mãe ao mesmo tempo (que seguramente terá no apoio da família o suporte necessário), lá vai demonstrando aquí e além – por aquilo que as redes sociais nos permitem saber – que se desenrasca. Não me parece suficiente considerar-se o estatuto social e financeiro como a grande almofada para que as coisas corram bem. Terá também de existir a vontade e o reconhecimento no prazer a que a tarefa obriga. Mesmo no imaginário, para a maioria daqueles que desejam ser Pais, tal cenário configura-se como uma tarefa engraçada, até surgirem os primeiros desafios.

Não me parece suficiente considerar-se o estatuto social e financeiro como a grande almofada para que as coisas corram bem. Tem também de existir vontade e reconhecimento no prazer a que a tarefa obriga.

Em precoce idade, a dependência da criança em relação à Mãe é muito maior do que aquela que assiste ao Pai. É á medida que esta cresce, que o papel do progenitor masculino no acompanhar ao desenvolvimento do filho como indivíduo se torna mais importante, numa engrenagem fundamental à integração menos protegida em que a sociedade nos acolhe. A interação com outras crianças, as amizades, as primeiras paixões, a simbiose com outros seres humanos,  são desafios que não se devem menosprezar através da falta de acompanhamento e interesse dos mais velhos para com os mais novos.

As crianças de hoje serão os adultos de amanhã. Partindo do pressuposto que o adulto tem como obrigação de apresentar à sociedade onde se integra o melhor que de sí pode advir, então importante será considerar tudo o que terá aprendido e assimilado ao longo do seu desenvolvimento, ao longo da sua imberbe juventude. O ser Pai está para o filho como o ser humano está para o mundo onde habita.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Barbas grandes em coisas pequenas



Não terei sido seguramente uma das primeiras pessoas a reparar nesta mais moderna tendência masculina: a Estética-Barba-Orgulhosamente-Por-Fazer-à-Quase-Um-Ano. Há modas que vão, assim como há modas que vêm. Há aquelas que duram mais tempo e provavelmente as que não duram tempo nenhum. Depois, existe a histeria colectiva de querer ter estilo suficiente para conquistar o mundo, nem que seja de cuecas...

Não sei onde começou esta moda da Barba por fazer, mas já deu para perceber que os portugueses não foram os únicos pelo globo a adquirir tal hábito. Muito provavelmente esta caracterização facial brotou da embrionagem de um qualquer fashion-adviser, até se tornar um hábito oficial aos dias de hoje. Imagino as vantagens:

- Um rapazito passará a ser um homem.
- Um "beto" passará a ser um rude.
- Um machinho passará a ser um machão.
- Um menino-de-coro passará a ser um insolente.
- Algo que nasceu pequeno depressa a aparentar maior dimensão, e por aí fora...

Tenho uma opinião formada a respeito das Barbas. Perante uma qualquer crise de identidade, bastará deixá-las crescer ao ponto de... Ok.... já percebí! Lembrei-me do filme 300, o tal em que uma minoria de 300 Espartanos lideradas pelo bravo Rei Leónidas resistem heroicamente ao numeroso exército Persa. É isso mesmo!...



Tendo em conta que se trata de um filme de 2006 e esta tendência andará em voga há sensivelmente dois anos, cronologicamente pode fazer sentido. Aliás, três anos antes surge como um cometa um Johnny Depp de barba e bigode na personificação do pirata-palhaço Jack Sparow, figura muito apreciada pelo público feminino, que até então quase ignorava a existência do actor. No fundo, tudo isto para dizer que o homem utiliza a Barba para se mostrar mais viril; tal como no meu tempo quando se ajudava uma senhora a carregar os sacos de compras do supermercado, independentemente se o conteúdo fossem ovos ou tijolos. Assunto explicado.

O Erro do Presidente do Sporting: Demasiada Emoção, Alguma Razão e pouco Cérebro Humano



O título deste post evoca naturalmente a obra do neurocientista António Damásio, escrita em 1994 e editada pela Companhia das Letras. Sob a designação "O erro de Descartes: Emoção, Razão e Cérebro Humano", o autor aborda essencialmente a relação que existe entre o corpo e o cérebro, uma correlação não-considerada por um dos mais influentes filósofos da história – o francês René Descartes.

Descartes foi essencialmente um homem que conheceu ao longo da sua vivência uma série de diferentes culturas e diferentes linhas de pensamento. Numa sociedade marcadamente feudal (em plena Idade Média), o filósofo observou que os costumes e tradições de um povo influenciam o modo como as pessoas pensam e lidam. Basicamente, com as suas crenças. Entre outras teses, Descartes defendeu que a dúvida é a aurora do conhecimento. No sentido inverso, o autor português defende que a ausência de sentimentos e emoções são a antítese da racionalidade, em que todo o comportamento racional deverá ser intrínseco ao lado emocional.

A Emoção inspira-se no impulso. Define o bem estar imediato assim como a felicidade momentânea. A Razão define uma objectividade futura, assim como as consequências da decisão tomada. Todos nós somos fruto da emoção, embora a objectividade da razão seja seguramente um dos principais pilares de uma vida em equilíbrio, com um sentido à realização de modo mais elaborado, vertical e seguro. A vertente emocional atribuí ao ser humano todas as sensações de prazer naturalmente momentâneas, mas necessariamente procuradas por todos nós. No atingir de tal relação com o prazer, inúmeras vezes abdicamos da não tão atraente Razão. As consequências de tais actos, serão apenas mais tarde recolhidas.

A vertente emocional atribuí ao ser humano todas as sensações de prazer naturalmente momentâneas, mas necessariamente procuradas por todos nós. No atingir de tal relação com o prazer, inúmeras vezes abdicamos da não
tão atraente Razão. As consequências de tais actos, serão apenas
mais tarde recolhidas.

Tudo isto para apoiar a análise que o presidente do Sporting Clube de Portugal me merece. Bruno de Carvalho configurou-se como um candidato à presidência do clube que actualmente preside, sob o formato de alternativa ao por sí definido Status Quo que prevalecia ao longo de décadas no clube: por razão da génese cultural do emblema, reconhecia nele uma conduta de presidencialismo semi-feudal da qual o Sporting se tinha tornado mártir, sacrificando o prestígio obtido por vitórias à mercê da subserviência não apenas a clubes rivais, como a uma passividade que excluía o clube das vitórias.

Perante uma massa adepta emocionalmente descontente mas pouco empenhada no esclarecimento – como todas as massas o são –, o surgimento do apóstolo colocando a descoberto clandestinas frustrações – como todas as frustrações o são – e apontando alvos em concreto, conseguiu de modo fácil e sem impugnação o mais fácil júbilo da história do clube. Nem na sua altura, João Rocha que hoje se edifica hiperbolicamente a Rei, foi tão soberanamente aclamado. De repente, com uma comunicação essencialmente focada na resposta imediata a questão confusas, Bruno de Carvalho despertou as emoções dos crentes ao Clube. Criou-se então uma corrente humana emocionalmente movida, descaracterizando-se a possibilidade da Razão em redor do futuro do clube.



Forjado o ferro, procurando o conflito e a dôr como estrada de um sucesso por sí contemplado, Bruno de Carvalho permitiu o sonho tomar conta de sí, tão quanto cada adepto permitiu a sí próprio encarnar no mesmo paradigma. Criou-se assim a canonização de um novo Sporting, reconfigurado numa matriz que nunca foi a sua, numa índole de complexo de Édipo, como se de uma prostituição intelectual a matriz do Sporting se tratasse.

Pessoas que hoje "fazem" o Sporting, nomeadamente o seu presidente, o treinador, assim como os responsáveis mais visíveis, são uma face oposta ao que 90% das gerações sportinguistas acreditaram. Os Pais daqueles que hoje se dizem ser do Sporting, acreditaram não numa fantasia como Carvalho sempre desejou sublinhar, mas num modo de estar no desporto e na vida em simbiose com a Razão e o Estatuto. Razão e Estatuto fizeram do Sporting o Sporting, assim como por exemplo, Emoção e Permissão fizeram do Benfica o Benfica. Não aponto tais condições como uma crítica. É isto que os clubes são, e como tal, esta foi a génese da sua rivalidade eterna.

Bruno de Carvalho é um indivídio que despreza a génese do Sporting. Enquanto o povo se imberbe entre o apocalípse de discursos heteróclitos ou a burguesia de descortinar relatórios & contas provincianos, ele e todos aqueles que o acompanham transformam o clube num corpo sem alma, onde virtualmente um coração bate, enquanto bater. Peço honestidade às gerações mais novas! O que lhes foi transmitido pelos anciães que lhes mostraram o que era o Sporting? O que lhes fez gostar do Sporting quando decidiram ser sportinguistas e pouco se vislumbrava em formatação de títulos? Tiveram vergonha do Sporting algum dia das vossas vidas, levando-vos agora a acreditar que não existe diferença entre o que Bruno de Carvalho pensa e o melhor caminho para o clube? Na medição triste de sportinguismo, então eu digo-vos que se assim o foi, vocês nunca foram do Sporting.

O Sporting não demonstrando desportivismo – mesmo que em momentos dele duvide –, não merece o louvor do desporto nem quem por ele se apaixona. Entenda-se que é possível admirar um clube mesmo que este não ganhe;
a maioria das pessoas desta vida também não ganham.

Declarem carinho ao clube, observando na planície da vossas vidas o abraço fraterno à Razão. No cume da Emoção, nunca abandonem a reflexão que tal momento exige, porque não há razão em momentos baixos que provoquem emoção em momentos altos. O Sporting declarando guerras sem objectividade, vence jogos mas não ganha títulos. O mesmo que conseguiu sem guerras. O Sporting colocado-se incómodo a terceiros, desprotege o seu reino, confundindo o seu povo. O Sporting não demonstrando desportivismo – mesmo que em momentos dele duvide –, não merece o louvor do desporto nem quem de ele se apaixona. Entenda-se que é possível admirar um clube mesmo que este não ganhe; a maioria das pessoas desta vida também não ganham. Mas podem ser admiradas se forem dignas. Sem ser admirado, fruto desta eleita mensagem de nojo ao mundo do Futebol do qual o Sporting tem vindo a subscrever, o Sporting passa a ser odiado, em igual proporção ao sentimento transportado por aqueles que neste momento também vítimas do seu ódio ao alheio, procuram neste presidente o próximo balão de oxigénio.

A Sporting sobrevive deste modo. Mas não cresce. Não caminha para lado algum. Quem desejar apontar ao lucro no final do trimestre como resposta cabal a todo este indelicadamente longo texto, encontrem então em tal aglomerado estatístico uma numerologia de razões para o lerem de novo estas linhas, desde o princípio.

sábado, 14 de maio de 2016

Padrões de desejo que os homens admiram ou a ode ao vazio de conteúdo.

"Eles não resistem ao ar inocente de Daisy Ridley, ou aos olhos poderosos de Alexandra Daddario nem às pernas de Kate Upton. Estas são as mulheres que lhes conquistam o coração."

Despertou-me alguma curiosidade um artigo divulgado esta semana pela revista Men's Health, em que se listam "As 99 mulheres que os homens mais desejam". Tendo em conta que a referida publicação está direccionada ao público masculino, onde provavelmente todos os artigos são escritos por homens, presumo que tal repertório se fundamente numa sondagem, no mínimo, à porta da própria redacção. Empreendí naturalmente o meu tempo em observar tal lista com o detalhe necessário, mas confesso que ao constatar em 93ª posição a cantora (?) Victoria Beckham, resolví parar.

Ok, passou 1 minuto e lá voltei eu à dita lista. Mas desta vez em versão fast-forward para depressa conformar a minha curiosidade acerca da feliz contemplada com a primeira posição: uma jovem inglesa de 24 anos chamada Daisy Ridley. Mas que m**** de lista é esta? Se esta é considerada (mesmo que apenas e só pela publicação) a máxima matriz de desejo por parte do homem moderno, então eu serei inquestionavelmente um neardental!

Daisy Ridley, a n#1 da lista promovida pela Men's Health


O mundo está mesmo partido ao meio. Num dos hemisférios vivem pessoas que pesam 45kg, com semblantes de tímida porcelana adornada a vulgaridade, surgindo do nada, cujo elogiável destaque na sua vida é viverem até ao prazo de validade que provavelmente se situa nos 30 anos de existência. Depois disso, estão velhas para os objectivos a que se propõem: terem a presença de meninas de 20, servis ao desejo de figurar numa qualquer passadeira vermelha.

O mundo está mesmo partido ao meio. Num dos hemisférios vivem pessoas que pesam 45kg, com semblantes de tímida porcelana adornada a vulgaridade, surgindo do nada, cujo elogiável destaque na sua vida é viverem até ao prazo de validade que provavelmente se situa nos 30 anos de existência.

Não vale a pena fazer comparações entre elas, pois provavelmente nada as distingue.  São inquestionavelmente bonitas, embora se a referida votação pretende destacar "As mulheres que os homens mais desejam", correcto seria esta nomear-se "As mulheres que os míudos de 20 ou homens de 50 mais desejam". Haveria então lugar neste "gap" de 30 anos a destacarem-se meritoriamente outro tipo de mulheres – as que vivem no outro lado do hemisfério. Estes seriam os critérios:

- Mulheres que tenham mais de 18 anos mas não aparentem ter 18 anos.
- Se o limite de idade ultrapassar a barreira do razoável, que outros atributos como a inteligência, personalidade e charme se submetam a avaliação.
- Mulheres que se destaquem com meritório sucesso profissional.
- Mulheres que podendo ser portadoras de inegável beleza, nunca tenham utilizado tal atributo para singrar.
- Mulheres que se tenham destacado pela sua aplicação a bons valores e bons costumes.
- Mulheres que soletrem eximiamente o abecedário.
- Mulheres que gostem de ser "Mulheres", quando acordam e quando se deitam.
- Mulheres que tenham cultura geral para abordar assuntos diversos, mesmo que não os dominem.
- Mulheres que valorizem a importância do sexo feminino na sociedade, que demonstrem perseverança em carreiras profissionais antagonicamente povoadas pelo sexo masculino.
- Mulheres que ensinem ou motivem os homens a serem melhores.

Porque este valores todos juntos, para mim, são o que mais me fazem admirar o sexo oposto.

terça-feira, 10 de maio de 2016

domingo, 8 de maio de 2016

O que falta ao Bloco de Esquerda
- A política no Jardim do Éden

Apetece-me começar este post com a seguinte constatação: chateia-me solenemente o ar circunspecto e sisudo dos portugueses. Em bom português, a tromba com que as pessoas se passeiam pelas ruas. Ou dentro do carro. Ou nos supermercados. Ou nas repartições públicas. Ou em quase todo o lado. Às vezes acredito que somos um povo desanimado com qualquer motivo misterioso ou simplesmente por culpa de alguém, mesmo que esse alguém não seja mesmo ninguém. Mas para um tipo desconfiado como eu, será suspeito para avaliar.

Às vezes acredito que somos um povo desanimado com qualquer motivo misterioso ou simplesmente por culpa de alguém, mesmo que esse alguém não seja mesmo ninguém.

Por falar em assuntos que não levam a lado nenhum, vou falar de política em Portugal. Em preferências políticas, sou 30% de Esquerda, 40% de Centro e 30% de Direita. Mas no que respeita a partidos políticos nacionais, não me identifico com nenhum. Não gosto nem confio na política portuguesa principalmente pela ausência nesta do verdadeiro sentido de estado que os seus figurantes demonstram. Um circo de imposturice burguesa que gosta de andar com copos de Gin na mão nos locais In da noite de Lisboa para mim não representa a imagem que um político deveria ter. Já não basta o zé-povinho armado em Snob...
















Serem uma espécie de Sócrates de saias; sorridentes e descontraídas, tal como o marisco que nos meses sem "erre" goza de um qualquer privilégio mitológico que inibe as pessoas de os consumir.

Mas existe um determinado grupo partidário que aparentemente se diz diferente. O Bloco de Esquerda. Entre o dividir amíude a liderança do partido ou destacar nas suas fileiras um considerável número de jovens mulheres, merecem pelo menos o prémio "Inovação". Na moribunda árvore sem folhas que é a política, fica bem o côr-de-rosa da flor de cerejeira. À Mariana Mortágua, Catarina Martins e Marisa Matias – os rostos em maior destaque neste partido – só lhes falta algo: apresentarem-se de um modo menos sério e artificial. Serem uma espécie de Sócrates de saias; sorridentes e descontraídas, tal como o marisco que nos meses sem "erre" goza de um qualquer privilégio mitológico que inibe as pessoas de os consumir.



Mas acredito que existam países onde ensaios rocambolescos na política sejam bem mais apreciáveis.   Por exemplo, em Itália. Aficionada das redes sociais e das viagens low-cost, Maria Elena Boschi é uma jovem Deputada e Ministra italiana, que com apenas 35 anos tem a seu cargo a pasta das Reformas Constitucionais. Fundamental ou não em exercício do cargo que ocupa, a sua imagem bem ao estilo das divas italianas dos anos 70 e 80 garante um olhar diferente sobre o o "cizentismo" governamental. O estado de graça das coisas fica diferente com um sorriso de uma mulher assim. Uma sugestão às mulheres da política portuguesa.

Os 5 Sonhos de qualquer rapaz...

De tempos a tempos, todos nos lembramos de como as coisas eram na nossa adolescência. Tal não sendo sinónimo de que a vida em adulto seja desprovida de interesse, para a maioria daqueles que tiveram uma juventude feliz, como eu tive, recordar tais momentos distantes é sempre um agradável exercício de nostalgia.
Quando eu era míudo queria ser um herói. Não interessava a farda, nem as aptidões, nem os meios. Ser um herói era tudo o que um jovem da minha idade poderia desejar. Na minha inocente adolescência não existiam bens materiais que me interessassem assim tanto. Havia a televisão, existiam dois canais, e eram estes os conteúdos suficientes para satisfazer o meu tempo.

Depois existiam as séries e os filmes, com todas as suas quiméricas personagens que nos davam a ilusão de serem reais, que aquelas coisas aconteciam mesmo. Naves que voavam pelo espaço ou carros que falavam, eram algumas das coisas que seduziam a minha imaginação pelo desejo de que, quando fosse grande, também as desejaria para mim. Que me lembre, eram pelo menos 5 as minhas "prioridades"..



Ser um Cowboy
A vida no Oeste americano não era fácil. Dificilmente se evitava o confronto com Apaches no meio da pradaria, entre outros perigos inerentes a uma qualquer odisseia montada a cavalo. Mesmo o simples jogar às cartas num saloon era um caso sério de virilidade: tais locais nem sempre bem frequentados, onde a susceptibilidade de um confronto surgir a partir de uma má cartada ou um simples olhar de soslaio eram uma realidade corrente.
Qualquer bom Western tinha obrigatoriamente quatro regras: uma boa e indispensável briga num saloon, um xerife comprometido ou cobarde, um solitário desconhecido obrigado a salvar uma cidade e uma linda donzela em apuros, frequentemente viúva por imposição do vilão.



Impressionar uma mulher
Pilotar um avião era um dos muitos actos heróicos à disposição na imaginação de um rapaz que pretendesse impressionar o sexo oposto. De imensurável beleza a inatingível aproximação, o sexo feminino representava para a maioria dos rapazes (e continua a representar) o Santo Graal; o seu olhar de admiração absorvido pelas nossas façanhas era a maior razão da própria existência. Claro que situações que envolvessem paralelamente a salvação da humanidade eram bem-vindas. Um dos actores que maior cartilha de talentos apresentava nesse campo era sem dúvida Tom Cruise  no filme Top Gun, por exemplo – embora nunca tivesse sido actor que me despertasse admiração, talvez pelas personagens demasiado presunçosas que interpretava.



Vestir como o Sonny Crockett (Miami Vice)
No "meu tempo" o que não faltava em horário nobre eram as séries policiais. Algumas mais sérias que outras, mas a que me cativava mais era sem dúvida a Miami Vice. A narrativa decorria na glamourosa cidade de Miami, onde dois detectives cheios de estilo – interpretados por Don Johnson (Sonny Crockett) e Philip Michael Thomas (Ricardo Tubbs) se passeavam de Ferrari e prendiam traficantes, ao som de uma brilhante banda sonora produzida por dois dos maiores ícones musicais: Jan Hammer e Phil Collins. O estilo dos dois agentes marcou não apenas o padrão de cores dos anos 80 (num estilo que hoje se poderia definir como Casual Chic), como também me fez sonhar com tais indumentárias. Infelizmente nunca fui a tempo.



Ter a atitude Heterosexual de George Michael
George Michael foi para mim e para muitos um dos melhores cantores de sempre. Lembro-me da sensação que tive quando ví pela primeira vez um video-clip seu – uma música chamada Father Figure – e quanto considerei ideal aquele cenário a preto e branco: conduzir um táxi à noite com óculos escuros, brinco na orelha, a fumar um cigarro, enquanto transportamos uma Top Model no banco de trás que nos contempla fortuitamente pelo espelho retrovisor, não é para todos. Podia ser este definitivamente o sonho de qualquer taxista. Mesmo não desejando tal profissão, também para mim o foi.



Ter o emprego de Tom Hanks no filme "Big"
Pedir a realização de um sonho a uma máquina de desejos e acordar no dia seguinte no corpo de um adulto, podendo trabalhar numa empresa de brinquedos e ter uma casa enorme só para mim, era por sí motivos que justificavam o deslumbramento. Embora sem gozar do sucesso comercial de outros filmes para adolescentes da altura, Big foi uma das obras que mais marcou a minha adolescência. Engraçado como em adultos sonhávamos tanto em ser grandes e ter sucesso.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

A verdade sobre o "Caso Bárbara"...



"Que fique claro que nada tenho contra a polícia, nem tão pouco contra cumprir as leis, porque sempre o fiz. Mas tenho contra a falta de educação”, contou, reiterando que o agente a tratou com “indiferença” e “sorriso de gozo”.  “Fiquei ofendida. Fico triste, quer da atitude do agente por não me respeitar, quer da atitude do presidente acima referida. E independentemente da notoriedade ou profissão que refere o presidente da câmara, aqui fica o desabafo de uma cidadã”.

Um facto axiomático. Sempre que observamos à distância (por meio de relato ou de imagens) actuações policiais que visem o restabelecimento de ordem pública, não evitamos um misto de sensações: de incómodo perante a indispensável agressividade do acto, como o endossar de louvor ao papel dos agentes de autoridade. Porém, quando o visado da actuação policial se trata de uma figura pública, a observação alheia torna-se mais sumária: "Tem a mania que é importante, que é mais que os outros, é bem merecido!", uma retórica comum que aufere ao agente a liberdade de punição sob crime de soberba praticado pela delinquente personalidade.

"Tem a mania que é importante, que é mais que os outros, é bem merecido!", uma retórica comum que aufere ao agente a liberdade de punição sob crime de soberba praticado pela delinquente personalidade.

Os portugueses são "tramados". Não resolvem com clareza as situações no momento devido; mas gostam de as prolongar o mais que podem, fazendo uso de consagrados meios para o efeito: o Facebook. Não para ficarem de consciência tranquila, mas para sujeitar o alvo da sua indignação à humilhação arbitral de uma espécie de alcateia lusitana que gosta de falar mal, falar alto, sem falar a maior parte das vezes de um modo correcto.

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Coisas de Homens, parte 1
O Perfume



Uma nota prévia: se o leitor tiver menos de 30 anos ou permite que seja a namorada ou a mulher a escolher o perfume ou a roupa que usa, escusa de perder o seu precioso tempo ler o resto do artigo.

Há coisas que para um Homem são desnecessárias. Uma delas é a opinião vinculativa que outros têm pelas características de determinados produtos. Nem todas as pessoas têm os mesmos gostos, como nem todas as pessoas têm a mesma educação. Embora o aprender não se alcançe sozinho, é na experiência que devemos apostar a nossa formação. Assim, adquirimos uma opinião para expôr, não apenas para andar uma vida inteira a concordar com o que "os outros" dizem.

Existem dois estereótipos de Homem. Os que valorizam os seus pertences porque estes definem a sua essência, e os que valorizam a sua essência empenhando-se na procura da matéria. Traduzindo isto por "míudos", os primeiros resumem a sua vida ao que a própria vida (ou os outros) lhes oferece, os segundos selecionam a conquista e a descoberta como modo de afirmação da sua existência. Respeita o espaço dos outros, nunca deixando de definir o teu.

A melhor coisa que um homem deve fazer quando deseja um perfume é ir procurá-lo sozinho. Ou então se estiver acompanhado, que fique calado – a conversa pode prosseguir noutra altura.

Falando de perfumes. Todo o perfume de homem deve conter na medida certa, notas aromáticas essencialmente quentes. Fogo, madeira, couro, especiarias intensas. Em suma, o espírito de conquista colonial espalhado pelo corpo. E como tais distinções servirão apenas como motivo de gozo, a melhor coisa que um homem deve fazer quando deseja um perfume é ir procurá-lo sozinho. Ou então se estiver acompanhado, que fique calado – a conversa pode prosseguir noutra altura. A escolha do aroma que elegemos em homenagem ao nosso carácter é um investimento demasiado importante para se andar a brincar ao "cheira aquí, Amor...!".

Safari é um dos melhores perfumes amadeirados que conheço. Lançado em 1992 pela Ralph Lauren, tem como notas aromáticas as principais características necessárias a um perfume de homem: Aldeido q.b., Óleo de Neroli (ou Bergamota, na pior das hipóteses), Couro, Musk (fundamental!), Âmbar, Canela e madeira de Cedro. O aroma do Safari, como muitas fragrâncias da Ralph Lauren, é inspirado no estilo de vida americano, apontando a valores de liberdade e aventura. Fica o esclarecimento para quem já apostava que o nome teria alguma relação com aventuras em parques temáticos africanos.

Nota conclusiva: o teor aparentemente machista deste artigo não visa de modo algum a inferiorização do papel de uma Mulher na vida de qualquer Homem. Assim como nenhum produto referido obecede a interesses de natureza comercial por parte de quem o escreve – o nosso Lifestyle é independente.

terça-feira, 3 de maio de 2016

Blogs de Beauty, Fashion e Lifestyle.
Uma epidemia que os homens não compreendem?



Ultimamente ando surpreendido com a quantidade de blogs que existem dedicados aos hiperbólicos temas que, aparentemente, mais motivam o público feminino a criar este tipo de publicações.
Aquilo que para mim aparentemente não passava de um conjunto de fantasias descartáveis, com jovens mulheres ou não-tão-jovens-mulheres-a-quererem-ser-jovens dedicadas a serem fotografadas ora nas ruas de Lisboa com sacos de compras na mão ora dentro de lojas a experimentar roupa, afinal já representa no universo online um considerável marco de propagação.

A preponderância do mundo estético está inclusivamente ligada aos locais onde vamos jantar, onde vamos passar os nossos fins-de-semana e até à urgência com que colocamos nas redes sociais fotografias que comprovem que lá estivemos, ratificando o quanto estamos "In".

Úteis ou frívolos, lucrativos ou altruístas, os blogs de lifestyle são inegavelmente fundamentados num mundo estético, provavelmente distante da vida real da maioria dos seus seguidores, embora aparentemente próximo de quem os perpetua com postagens diárias acerca das escolhas com que se apresentam ao mundo no seu dia-á-dia. Por um lado, é demais evidente que por trás destes blogs existem mulheres ligadas ao mundo editorial da moda, com inteligível acesso a conteúdos originais que tanto despertam a curiosidade alheia. Mesmo a nível "amador" se apresenta também matéria de inegável compatibilidade a um maior domínio desta temática.

Questionável poderá ser a quanto de vida real obedece esta natureza estética, em que invariavelmente as questões ligadas à determinância da "beleza" se tornam mais influentes que o carácter humano de quem, sob sua influência vive. Sem hipocrisias, todos estamos sujeitos ao que está na moda, ao que os outros têm, ao modo como nos procuramos apresentar perante a sociedade. A preponderância do mundo estético está inclusivamente ligada aos locais onde vamos jantar, onde vamos passar os nossos fins-de-semana e até à urgência com que colocamos nas redes sociais fotografias que comprovem que lá estivemos, ratificando o quanto estamos "In".

Deve ser penoso acatar vicissitudes diárias que surgem a todos nós, quando nos temos de preocupar em não sujar a camisa quando mudamos um pneu do carro ou pegamos numa criança, como pouco prático estar o dia inteiro de saltos altos quando se tem de descer e subir escadas ou fazer caminhadas a vários locais num dia de trabalho.

Perante a própria estética em que a sociedade se vincula, torna-se quase obrigatório nos integrarmos nesta predisposição à aparência. Proclamamos assim a face glamourosa do mundo em que vivemos (ou que imaginamos que vivemos) não havendo lugar à cara inchada quando se acorda, ao vestir-qualquer-coisa ao Domingo, ou até mesmo uma maior descoberta interior evitando a ligação aos bens estéticos e materiais. Deve ser penoso acatar vicissitudes diárias que surgem a todos nós, quando nos temos de preocupar em não sujar a camisa quando mudamos um pneu do carro ou pegamos numa criança, como pouco prático estar o dia inteiro de saltos altos quando se tem de descer e subir escadas ou fazer caminhadas a vários locais num dia de trabalho.

Das duas, uma. Ou há sempre alguém disposto a fazer tudo por nós, ou passamos o dia em casa sem fazer nada, vivendo de rendimentos alheios que nos permitam andar pela cidade a fazer compras e a tirar fotografias. Nessa conjuntura, aquilo que é a vida real não passa de um mau pesadelo que nem se deve invocar para não trazer más energias.

5 Razões pelas quais Casillas foi um erro



Iker Casillas é inquestionavelmente uma das maiores figuras do futebol mundial. Um dos futebolistas com maior palmarés na actualidade, que conta com vários troféus internacionais de elevada importância ao nível tanto de clube como de selecção. E claro, tal extraordinário número de conquistas faz de um jogador, independentemente da sua qualidade, uma estrela. Mas faz dele também um jogador fundamental? Na minha opinião, um guarda-redes como Casillas beneficiou sobejamente da política abastada de investimento em estrelas internacionais que permitiu ao seu clube de sempre, o Real Madrid, ser vencedor com regularidade, mesmo com as irregulares exibições do guardião espanhol. Motivo que, dentro do que se previa um dia, levaria o clube a colocá-lo à disposição assim que surgisse alguém interessado em contar com os seus serviços. Surgiu então o Futebol Clube do Porto...

Razão nº1 - O custo financeiro de um guarda-redes
Fruto de várias razões que podemos debater, o futebol português não detém viabilidade para se investir tanto num jogador, mesmo num ícone como Casillas. Embora sejamos uma sociedade que aprecia e investe aquilo que pode no associativismo ao clube, não são geradas receitas suficientes para cobrir o desequilíbrio que provoca o vencimento de 3,5 milhões de euros/ano líquidos (o Real Madrid paga uma quantia igual, o que perfaz 7 milhões líquidos/ano). Seria fundamental no mínimo uma presença assídua do clube nas meias-finais da Champions League, algo que "apenas" um guarda-redes de luxo não permite alcançar. E se tivermos em conta que o Futebol Clube do Porto neste ano com Casillas não conseguiu sequer o apuramento directo para a prova milionária...

Razão nº2 - A importância de Helton no plantel
Ao longo dos anos assistiu-se a uma desintegração portista, no que respeita à manutenção de jogadores no clube que transportassem consigo a mística azul-e-branca. Hoje, um dos poucos jogadores que detém tal qualificação é indiscutivelmente Helton. Ao ser relegado para segunda-opção após a vinda de Casillas, o FC Porto afastou de dentro de campo uma voz de experiência e liderança, assim como uma das figuras mais acarinhadas pelos adeptos. Algo questionável, principalmente no campo emocional, que pode ter contribuído para alguma desunião dentro do clube como nas próprias bancadas.

Razão nº3 - Casillas é uma figura de Marketing?
Falta em Casillas qualquer coisa, principalmente algo que gere maior empatia sobre a sua figura, nomeadamente quando o clube não ganha. A sua "voz" não se ouve em campo, não se ouve nas conferências de imprensa, onde o próprio clube ao pretender proteger a figura mais destacada internacionalmente que tem no plantel, acaba por não evitar a contestação sobre um activo que não gera vitórias. Tal protegimento inibe a própria exploração da imagem do jogador em merchandising; talvez o próprio Futebol Clube do Porto não tenha mesmo, ao nível comunicacional, ferramentas suficientes para retirar maiores dividendos da presença do espanhol no clube.

Razão nº 4 - As exibições de Casillas
Não obstante do valor do jogador, Casillas não revela espectacularidade nem regularidade no que respeita a exibições. É um guarda-redes experiente sim, que pode falhar como qualquer outro, claro.  Mas quando por vezes falha, falha em grande, quase à dimensão da sua imagem. O próprio semblante do jogador revela de certo modo um misto de apreensão ou preocupação com algo, pronunciando alguma insegurança ou insatisfação. Nem todos os jogadores podem ser craques, mas quando apresentam uma imagem simpática, séria e disponível, conquistam a plateia. Algo que o seu suplente directo até conseguiu facilmente. Quem não se lembra dos aplausos no Estádio de Alvalade por parte dos adeptos leoninos...

Razão nº5 - O momento errado
É impossível, mesmo num campeonato como o português, um só clube manter a hegemonia eterna. O facto é que o FC Porto conseguiu o que mais nenhum clube nacional alcançou em quase quarenta anos, desde as constantes vitórias no campeonato aos títulos internacionais. Porém, após tremenda exposição, seria sempre difícil manter os principais jogadores no plantel face ao interesse e poder económico dos grandes clubes europeus. A saída de jogadores fundamentais não compensada com exibições regulares por parte dos que foram contratados, assim como a aposta em treinadores que nunca compreenderam a necessidade do clube em não perder a identificação com o jogador nacional, foram factores que colocaram o FC Porto distante das vitórias. Talvez a pior altura para se ter contratado Casillas.

sábado, 30 de abril de 2016

Dos 17 aos 25. O vazio de uma geração.

TV Rural? BBC Vida Selvagem? Reality Show's!

















Regra nº1 - "A culpa não é minha!"
Parece-me injusto culpabilizar de modo primário a conduta de alguém, sem procurar sequer apurar os motivos que geram comportamentos declaradamente reprováveis. Na medida do que nos torna humanos racionais e responsáveis, sabemos perfeitamente que a violência, a intolerância e a ignorância são a fragmentação da sociedade. Na mesma medida, não pretendo fragmentar coisa nenhuma.

Mas não nos escondamos por trás das diferenças económicas e culturais que existem na sociedade. A dignidade não se adquire pelo dinheiro nem por cultura. Quem é pobre não é menos digno de quem é rico, assim como quem tem cultura não se pode considerar superior ao próximo. Embora seja um facto que o acesso à escolaridade assim como o bem estar financeiro permitem uma melhor qualidade de vida, tal não nos iliba do dever de interagirmos no interesse de uma sociedade mais equilibrada. Na prática, uma sociedade que se revê num padrão positivo de boa conduta, é uma sociedade melhor.

Regra nº2 - "Eu sou assim, e tenho orgulho nisso!"
O que observamos no comportamento das gerações jovens é um caso flagrante de responsabilidade das gerações velhas. Nenhum ser humano traz consigo hábitos sociais umbilicais quando vem ao mundo – é o "Mundo" que lhe ensina a ser uma pessoa. Nenhuma pessoa é intolerante ou ignorante porque simplesmente nasceu com "mau feitio", como se de uma questão genética tal se tratasse. O "Mundo" que refiro, nomeadamente os Pais e restante família, os vizinhos, os amigos, os colegas de escola e os professores, são esses os responsáveis pela formação da essência do indivíduo, seja ele apto à maioridade ou não. E é a estes, nomeadamente aos que mais importante papel desempenham (os Pais) que lhes deve ser incutida a obrigação e seriedade no desenvolvimento de quem deles depende.

Regra nº3 - "Conversar? Não tenho feitio para isso!"
Os Pais destes jovens com idades compreendidas entre os 17 e os 25 anos são declaramente responsáveis pelos actuação dos filhos perante a sociedade. Se os jovens são egocêntricos, vaidosos, incultos, agressivos, tal se deve à ausência de património educacional que lhes assiste. É impressionante assistir à dificuldade que esta geração tem em se expressar convenientemente e educadamente. Tão ciosos do culto da própria personalidade, confrontam não o desconhecido (como outrora outras gerações desprovidas de facilidades mas valentes em querer o conseguiam fazer), mas o próximo, com autoritarismo e violência. Não sabem debater, pois a discussão das suas virtudes é o lema que tanto procura esconder as maiores fraquezas que residem na ausência do essencial: o carácter. Um carácter de dimensão similar à quantidade de livros que lêem, seguramente.

Regra nº4 - "Quanto mais, melhor!"
Nesta geração, o indivíduo masculino não tem prazer no cavalheirismo. Mais machistas do que antigas gerações (que tinham muito menos acesso ao conhecimento e desenvolvimento cultural que estes), para eles o lidar com uma jovem da sua idade é tão desafiante quanto o número de horas que passam no ginásio, no facebook ao a beber shot's – quanto mais, melhor. Não interessa a qualidade. E mesmo elas, ciosas da sua independência e conscientes das limitações dos congéneres masculinos, entregam-lhes de bandeja aquilo que outrora se considerava uma virtude. No meu tempo, a virtude era conseguir convencer os Pais a aceitarem o namoro. Hoje, perdoem-me a expressão, os Pais são "montados" e aparentemente deleitam-se com tal costume.

Por isso é que para os "Paizinhos" destas personagens, os filhos são "tão bons meninos".

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O que elas mais procuram...



Nada que a minha intuição não me tivesse já dito. De acordo com um estudo elaborado pelo maior portal do mundo ao nível de conteúdos para adultos e da revista Bustle, dedicada ao público feminino, vídeos que envolvem relações sexuais entre duas mulheres são os mais procurados pelos internautas do sexo feminino. As decorrentes opções são vídeos compreendidos pelos termos "Mature", "Teen", "Large Penises", "Threesomes" e "Female Friendly"... No que respeita aos interesses masculinos, os conteúdos mais procurados são "Amateur", "Threesomes" e "Big Breasts".

O que as mulheres gostam
Em primeiro lugar é preciso assumir para quem ainda não teve a percepção, que este texto é escrito por um homem que se faz valer exclusivamente da sua experiência. Portanto, trata-se de uma opinião que vale o que vale.
As mulheres apreciam o lado mais estético e emocional da vida. O padrão comportamental feminino leva-nos (a mim particularmente) a entender que valorizam de sobremaneira todas as experiências que envolvam uma maior estimulação emocional, no que concerne ao envolvimento com o alheio. A moda, as viagens, a estética, as conversas acerca de relações, o amor, são tudo questões que de sobremaneira lhes agrada e lhes desperta elevado interesse. Aparentemente, o sexo não faz parte.

O que as mulheres (realmente) gostam
Vamos fugir um pouco à zona de conforto. E se tal tiver de ser com a precisosa ajuda de um homem, que seja. Porque nós homens temos de entender de uma vez por todas que temos de nos esforçar com elas.
As mulheres têm uma capacidade de observação e interiorização diferente dos homens. Reparam nos detalhes de um modo mais vasto, analisam sofisticadamente as arestas, e seguramente que pensam muito mais nas consequências dos seus actos do que nós. Há quem diga que levam tudo muito mais a sério. Aceito isso.

As mulheres têm uma capacidade de observação e interiorização diferente dos homens. Reparam nos detalhes de um modo mais vasto, analisam sofisticadamente as arestas, e seguramente que pensam muito mais nas consequências dos seus actos do que nós.

É um facto consumado que a grande dificuldade que assiste ao homem em compreender melhor o mundo das mulheres, reside na sua própria ignorância e prepotência ao básico. Sim, os homens, na sua maioria, são seres humanos desprovidos de capacidade de interpretação e sensibilidade à ode feminina. Com a mesma facilidade que aprendem sobre mecânica ou táticas de futebol, desinteressam-se pelos dissimulados prazeres que mexem com elas. Uma porta que não se abre pelo medo ao desconhecido, mas que as acompanha ao longo da vida. Refiro-me então, ao fruto proibido.

O fruto proibido
"O fruto proibido é o mais apetecido". Tão básico quanto impreciso. Uma frase aceite por muitos mas que carece de conteúdo, pouco esclarece, assim como a maioria dos lugares comuns onde vive enterrado a fonte de auto-conhecimento. "O fruto proibido é o fruto desconhecido". Isto sim, é a realidade. E é nesta realidade pouco perceptível e imensas vezes inalcançável que todo o conteúdo da verdade se manifesta. Não se trata de Mulheres serem diferentes de Homens. No escuridão, todos são cegos assim como todos procuram encontrar algo que os guie. O preço a pagar nunca seria demais se por obra divina tivéssemos o poder de nos tornarmos invisíveis, e que tal nos desse a possibilidade de explorar tudo o que complexadamente não conseguimos assumir.

O preço a pagar nunca seria demais se por obra divina tivéssemos o poder de nos tornarmos invisíveis, e que tal nos desse a possibilidade de explorar tudo o que complexadamente não conseguimos assumir.

As pessoas têm de deixar de viver uma vida tão empenhada no óbvio, na indolente rotina. Preparam-se um ano inteiro para se sentar à mesa no Natal com a família, entregar prendas oferecidas a maior parte contra-vontade pelo dispêndio financeiro, encobrindo a sua incapacidade de sentir prazer na partilha ao refugiarem-se na expressão "isto não está fácil para ninguém". Enquanto isso, investem numa fugaz passagem de ano como bons amestrados que são, brindando platonicamente à mudança, quando horas mais tarde se preparam para o regresso à mediocridade, onde se vive em função de crítica ao próximo e nunca ao sí mesmos.

O conhecimento, a auto-reflexão, as viagens e seguramente o Sexo, são as experiências mais importantes da vida de todos nós. Ler um livro amplia-nos os conhecimento, o que nos faz também questionar o que somos. Ajuda-nos a auto-reflectir. As viagens são o bálsamo da experiência, são o único modo de podermos partilhar ou assumir sempre com experiência de causa, e não apenas em campo teórico. O Sexo, esse, deve ser de uma vez por todas desprovido de amarras morais e conservadoras. Deve envolver-se em fantasia, confrontando sempre o desconhecido – o tal Fruto Proibido.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Ginásios, Wellness & outras mentiras que as pessoas gostam

















Ginásio. Palavra cuja origem advém do termo em Latim Gymnasium. Locais onde na Grécia antiga serviam de local para aperfeiçoamento não apenas da forma física como também intelectual. Como fundamentos assentes em premissas culturais e pedagógicas, por aquí se praticava a disciplina mental, na qual se associava o treino à manutenção da saúde, sendo tal princípio considerado fundamental no desenvolvimento do ser humano.

Os Ginásio actuais. Agremiações desportivas vocacionadas para a prática de desportos, dotadas de salas e equipamentos onde se praticam actividades em grupo ou singulares, sob a supervisão de responsáveis com certificação profissional no âmbito dos ofícios que lhes são inerentes.

O Ginásio que frequento. Negócio mercantilista protegido pelo denominado conceito Wellness (corpo são e mente sã), dotado de excelentes instalações, profissionais certificados e apreciável quantidade de modernos equipamentos, mas que lamentavelmente coloca o sócio frequentador no patamar mais baixo de interesse por parte de toda uma estrutura aparentemente profissionalizada.

Em teoria económica, os negócios existem para gerar retorno financeiro a quem os desenvolve. Ponto inquestionável. Porém, é o interesse em investir no negócio gerado pelo cliente que determina o que é realmente o valor do negócio, partindo do pressuposto que o serviço lhe aparenta mais-valias geradoras de interesse em nele investir, ou por ele pagar. O que infelizmente sucede no caso do Ginásio que frequento, assenta na dificuldade em conjugar num só os interesses do mesmo para com interesses dos Sócios. O Sócio, que paga um valor efectivamente elevado mas compreensível tendo em análise as excelentes condições estruturais e profissionais oferecidas, é sujeito a uma incompreensível ostracização a partir do momento em que se inscreve, pois não lhe são colocados à disposição, de modo intencional, os meios técnicos humanos que o apoiem à prática desportiva desejada. É garantido um género de "Serviços Mínimos" (leia-se por "Serviços Mínimos" a presença de poucos instrutores de sala a prestarem apoio), ineficientes em quantidade para apoiar as solicitações pela lotação do Ginásio na maior parte do horário de funcionamento. Basicamente, e fazendo uma analogia aos cursos de condução, é como se para além de se pagar as aulas de condução também fosse obrigatório pagar ao instrutor para acompanhar as mesmas.

O Sócio, que paga um valor efectivamente elevado mas compreensível tendo em análise as excelentes condições estruturais e profissionais oferecidas, é sujeito a uma incompreensível ostracização a partir do momento em que se inscreve, pois não lhe são colocados à disposição, de modo intencional, os meios técnicos humanos que o apoiem à prática desportiva desejada.

Como se tal não bastasse, a própria conduta apresentada pelos referidos instrutores revela limitações no que respeita à abordagem aos praticantes. Colocando-se como observadores a uma distância estratégica, aparentemente inibidos institucionalmente do contacto sem fins lucrativos, é gerada uma "barreira" entre os mesmos e os Sócios que treinam, entregando os praticantes à sua sorte. E como naturalmente nem todas as pessoas têm o civísmo nem a cultura de interacção suficientes para zelar pelo interesse de todos, tal distanciamento reflete-se em resultados pouco abonatórios no que respeita à arrumação e manutenção de equipamentos, como exemplos primários.

Tudo na vida tem um fim, principalmente quando surgem alternativas que permitam uma mudança. Infelizmente as alternativas que já existem, ao que parece, não são suficientes.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Portugueses, Snob's e Burgueses - parte I



Portugal. Território ocupado por Celtas, Romanos, Germânicos e Mouros. Após as reconquistas cristãs, formado como condado ora pelo Reino de Galiza, ora pelo Reino de Leão. Segundo a história,  Portugal estabeleceu a sua independência em 1143, como Reino de Portugal, tornando-se a partir do delineamento de fronteiras estabelecido no Tratado de Alcanizes no primeiro Estado-Nação da Europa. "Estado-Nação", um termo proveniente do conceito iluminista "Estado da Razão", estabelecido a partir do interesse de reformar as sociedades utilizando a razão e o conhecimento como pilares do seu desenvolvimento moderno e progressista.

Foi na ascensão europeia dos "Estados-Nações", que os portugueses se tornaram uma vez mais pioneiros, levando o nosso povo a embarcar rumo ao desconhecido, na designada Era dos Descobrimentos. Em síntese, Portugal expandiu-se sobre o mapa em quatro dos cinco continentes, tornando-se a mais importante potência política, económica e militar em todo o mundo, cenário possível pela impulsão de novos conceitos de capitalismo senhorial promovidos pelo Renascimento. Ao contrário do sangrento e escravizante Reino de Castela, o propósito inicial da expansão portuguesa manifestava-se pelo desenvolvimento de trocas comerciais entre o Oriente e a Europa (só mais tarde, no Brasil, se utiliza a escravatura como mão-de-obra).

Toda esta descrição define-se como o lado mais romântico da nossa história, aquele que mais vezes se expõe quando se trata de defender a tese "daquilo que já fomos, ao contrário do que somos agora". Por omissão casual, ou simplesmente desconhecimento, não são referidas as fugas para o Brasil da corte, aquando das várias invasões a que o nosso reinado se sujeitou, posteriormente.
Então afinal, o que é hoje o Português?

O Português não é hoje, o legado de tal período descrito. Alguns consideram que tal é óbvio; séculos se passaram sobre tal independência de descoberta, a monarquia foi afastada definitivamente, hoje existe uma comunidade de estados globais, e por consequência, Portugal na actualidade precisa mais do exterior para se desenvolver do que para se expandir. O problema é que Portugal, pura e simplesmente, não se desenvolve. Portugal, depois de depurar todo o seu desenvolvimento industrial pela dificuldade em acompanhar as mudanças económicas globais em curso após as grandes guerras mundiais, deu-se ao luxo de se manter encolhido no seu canto, servindo-se do que tinha, até mais não ter.

Uma conversa para continuar em breve.

domingo, 24 de abril de 2016

Os 5 maiores Portugueses, pt.1 - Agostinho da Silva



Podemos passar uma vida inteira em incessável insatisfação, procurando o que nos torne um pouco maiores. Maiores do que somos, mais do que acreditamos ser, pois alheios de observação dos outros todos gostaríamos de ser mais do que a realidade dolorosa nos impõe. Até que um dia o próprio destino com as suas conjunturais variáveis, nos coloca perante algo que nos interrompe tal percurso vaidoso e egoísta. Quando pensamos que somos nós que iremos descobrir a solução, a resposta, essa,  já alguém a deu. Nós simplesmente não estávamos lá para ouvir.

E foi de um modo fortuito que um dia este senhor "me descobriu".
Agostinho da Silva foi, em 5 minutos, a pessoa que mais depressa conseguiu conquistar a minha admiração. 5 minutos com ele (a ouví-lo, pois não tive o privilégio de o conhecer), são a chave equivalente a 20 anos do comum mortal.
Descrever em detalhe a sua biografia não faz jus à homenagem que pretendo prestar a este senhor. Porque, como o próprio disse, palavras em livros pouco valem. Uma descrição do extraordinário percurso deste Homem será sempre insignificante, porque simplesmente ao ouví-lo, a nossa vida muda. São homens como este que me devolvem o orgulho nesta nação.