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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Lugares incríveis, longe de tudo e de todos...



Ilhas Geórgia do Sul e Sandwich do Sul
Esta colecção de ilhas Subantárticas de propriedade ultramarina inglesa, estão localizadas ao meio do Oceano Atlântico e o Oceano Antártico, assim como entre os continentes América do Sul e a Antártica. Curiosamente o Oceano Antártico foi apenas integrado na lista dos oceanos em 2000 pela IHO (Organização Internacional de Hidrografia), nomeando assim todo o mar em redor da Antártica. Administrativamente pertencentes ao Reino Unido, são reclamadas desde 2013 pela Argentina, numa disputa territorial semelhante à verificada nas ilhas Malvinas. E é mesmo a partir de Stanley, capital das Malvinas, que a governação oficial destas ilhas é realizada.



A sua habitabilidade
Este arquipélago consiste na ilha maior, a Geórgia do Sul, e no agrupamento de outras pequenas ilhas, as Sandwich do Sul. Não existe população nativa na ilha principal, sendo o seu grupo de 30 habitantes composto por um oficial do Governo Britânico, cientistas e investigadores da British Antartic Survey, uma organização responsável pelos trabalhos de investigação levados a cabo pelo Reino Unido na Antártica. Descoberta em 1675 pelo mercador inglês Anthony de la Roché, foi mais tarde circunavegada pelo Capitão da Marinha inglesa James Cook, que em homenagem ao Rei George III a reclamou como pertença do território inglês, nomeando-a então Saint George Island. A ilha Geórgia do Sul tem uma área total de 3756 km quadrados. Nas 11 pequenas ilhas vulcânicas que compõem as South Sandwich, alguns dos vulcões estão ainda em actividade.



O clima nas ilhas
Com apenas 1000 horas de Sol ao longo do ano e com uma pluviosidade da ordem dos 1500 mm cúbicos/ano, as temperaturas no arquipélago não são propriamente as mais convidativas: no Verão (Janeiro) as temperaturas alcançam os 8 graus positivos, enquanto no Inverno podem alcançar os 5 graus negativos, com frequente queda de neve ao longo de todo o ano. Nas Sandwich do Sul, pela sua maior proximidade à Antártica, a tendência em se verificarem temperaturas mais baixas é frequente.



Como lá chegar
Para além das pescas operadas por companhias especificamente licenciadas para o efeito, o Turismo tem sido uma das fontes de rendimento mais exploradas na Geórgia do Sul. Sendo por via marítima o único meio de chegar à ilha – pela ausência de pistas aéreas – existem empresas que exploram visitas a partir de navios de expedição ou veleiros. Na Oceanwide Expeditions é possível efectuar reservas a partir das Malvinas (ilhas Falkland pelos ingleses). Os preços naturalmente não são baixos, podendo uma viagem de 7 dias alcançar valores na ordem dos 10.000 euros por uma cabine de 2 pessoas. Cada navio colocará pequenas embarcações disponíveis para o alcance à ilha, sendo que cada uma transporta apenas 100 tripulantes de cada vez.



Recomendações
Todos os visitantes que pretendam conhecer estas ilhas deverão estar informados em relação aos protocolos de protecção ambiental e conduta atribuídos pelo Tratado da Antártida, que assegura várias normas que evitem o impacto negativo inerente à protecção de todas as espécies nativas. A indumentária terá necessariamente de ser adaptada ao clima de temperaturas baixas, assim como é obrigatório assegurar que a mesma se encontra devidamente limpa e desprovida de substâncias perigosas às espécies que habitam no arquipélago.



Completamente fora de questão será o transporte de qualquer tipo de plantas ou animais, sendo que a própria aproximação á vida selvagem deverá salvaguardar as distâncias mínimas de 15 metros. De resto, desnecessário será informar de que os meios de salvamento nestes locais mais remotos são desprovidos eficiência imediata. Recomenda-se a utilização de equipamento e alguma experiência em percursos de risco semelhantes.



A ilha da Geórgia do Sul é a uma das mais visitadas da Antártica. Frequentemente descrita como os "Alpes no meio do oceano", é dotada de paisagens de tremenda beleza. Metade da ilha é completamente coberta de gelo, embora a abundância vida selvagem neste local o torne como um dos locais mais sedutores do mundo para quem aprecia a fuga aos destinos mais concorridos.



Metade da população mundial de Elefantes-marinhos procuram estas ilhas para se reproduzirem, onde podem igualmente ser encontradas seis espécies raras nos milhões de Pinguins que por lá habitam. Mais de 250 mil Albatrozes assim como alguns Albatrozes-errantes (espécie de asas maiores que as do comum Albatroz) são frequentes nestas passagens, onde vivem ainda em exclusivo duas espécies de aves: um pássaro de pequenas dimensões chamado de Petinha da Geórgia e o Arrabio da Geórgia, este último conhecido como o único pato carnívoro. Demasiadas razões para se conhecer este local.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Lugares incríveis, longe de tudo e de todos...



Quando era mais novo tinha um hábito comum à maior parte dos jovens da minha idade. Passava longos momentos a observar um globo geográfico que tinha no quarto, daqueles tão comuns de se ter em casa na altura. Observava os relevos, os rios, os nomes de regiões das quais nunca tinha ouvido falar, alimentando a fértil imaginação juvenil acerca de viagens a tais locais tão desconhecidos que tanto me fascinavam.

Ainda hoje mantenho o mesmo fascínio pela pesquisa de territórios desconhecidos. Quando dou por mim, já me aventurei uma vez mais à descoberta de "novos mundos". Desta vez, sem o globo do meu lado, mas com outras ferramentas que me permitem ultrapassar aquela barreira da ilusão. Como consequência, recentemente "descobrí" uma pequena ilha no meio do nada...

Macquarie Island
Cercada pelos longos mares do Oceano Antártico, a ilha Macquarie está longe de ser uma atracção turística. Um clima extremo, nuvens carregadas a maior parte do ano, fortes ventos de Oeste e precipitação média de 900 mm cúbicos/ano, não parecem ser o melhor cartão-de-visita para um destino de férias. De facto, separada 1700 km da Antártica como à mesma distância da Tasmânia, esta ilha regista temperaturas médias entre os 3º e os 7º positivos, podendo nos meses de Janeiro e Fevereiro atingir os 13º, descendo aos -9º em Julho e Agosto. A chuva é mesmo uma constante ao longo de todo o ano, numa ilha em que as noites podem chegar a durar apenas 4 horas.



Pertencente à Austrália, a ilha Macquarie é considerada de Reserva Natural e Património Mundial pela UNESCO desde 1997, pela sua importância no que respeita à sua geoconservada diversidade biológica. Trata-se por exemplo, do único local no planeta onde as rochas do manto terrestre se encontram expostas, quando o normal é estas estarem submersas 6km abaixo do nível do mar! Tem uma área total de 120 quilómetros quadrados, um pouco maior que a área da cidade de Lisboa e é habitada por uma população de 40 pessoas no Verão (basicamente equipas de pesquisa), reduzindo para metade no Inverno.



Como lá chegar
Chegar a esta distante ilha é uma tarefa que não se apresenta facilitada, pois todos os meios de transporte disponíveis (barco ou helicóptero) por naturais motivos de ordem climatérica, não garantem o cumprimento de prazos definitivos de chegadas ou partidas. As partidas são feitas de barco desde a Austrália ou Tasmânia em direcção à Antárctica numa viagem que dura entre 3 a 4 dias, fazendo-se a escala em Macquarie apenas de helicóptero. As bagagens têm de ser despachadas com 15 dias de antecedência. Algumas companhias de transporte marítimo oferecem serviços de expedição em redor da ilha durante os meses mais quentes, entre Novembro e Março, não obstante de este meio não permitir visitar a ilha por atracagem – toda a costa está completamente habitada por Focas, Leões Marinhos e Pinguins. Para os interessados, as reservas podem ser feitas online a partir deste site, mas fica o aviso: o custo ronda os milhares de dólares.



Medidas de segurança
Esta é a parte mais interessante da viagem. Apesar de existirem trilhos demarcados e segurança suficiente para se poder observar de perto toda a biodiversidade da ilha, a localização desta não  oferece o conformo desejado para quem não esteja habituado a fazer um certo número de sacrifícios. Todas as ilhas inerentes à Antártica são governadas por Tratado Internacional, sendo que parte delas não é sequer habitada, assim como algumas não oferecerem sequer possibilidade de se lá chegar por qualquer meio comercial. Mesmos pelos próprios meios serão necessárias autorizações que visem a protecção não do visitante, mas da preservação do local visitado. Basicamente o visitante tem de estar muito bem preparado para o que vai encontrar. Com todos os meios de salvamento disponíveis a dias de distância, quem por lá se aventure estará por sua própria conta e risco.