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quarta-feira, 27 de abril de 2016

Sublimes Divindades

Carré Brenan Otis
· Nasceu a 28 de Setembro de 1968, em São Francisco, estado de Califórnia, nos Estados Unidos.
· Iniciou a sua carreira de modelo com apenas 16 anos, tendo sido capa de revistas como Elle, Vogue, Cosmopolitan, Harper's Bazaar, Allure, Vanity Fair e Marie Claire. Foi modelo também em marcas como Guess e Calvin Klein.
· Iniciou em 1990 uma curta carreira no cinema, contracenando no filme "Orquídea Selvagem". Dado o conhecimento tornado público acerca do envolvimento com o actor principal – Mickey Rourke –, falou-se que todas as cenas mais íntimas do filme tinham sido reais, algo só desmentido pela modelo/actriz quase 20 anos mais tarde.
· Lançou em 2011 uma polémica auto-biografia, onde refere episódios marcantes na sua carreira modelo assim como no atribulado casamento com Mickey Rourke.

“I never owned a yacht. Or a house even. In fact, some months I couldn’t pay the rent on my apartment. I got some great contracts that paid a lot but I spent money frivolously. Then there’d be months of no work. In the earlier days, I’d often give my all on a shoot — 20 hours with no break — but wouldn’t see a dime. If the client didn’t like my performance then, oh well, my agent didn’t hold the client responsible. I was told to suck it up and take it as a learning lesson. Sometimes I wasn’t paid because the agency felt I owed them — debts from test shoots, portfolio expenses and hotel rooms.”

Pontuação Indomáveis Patifes: 9,0/10

Filmes de uma vida - Wild Orchid



"We all have to lose ourselves sometimes to find ourselves, don't you think?"

Para aqueles que se preocupam em vislumbrar um filme apenas quando a crítica ou opiniões alheias são favoráveis, então a obra "Orquídea Selvagem" não constará na agenda destes. Principalmente se nascidos após a década de 90, indiferentes a importância da Sétima Arte nas décadas de 70 e 80.
E foram de facto essas férteis décadas que em termos cinéfilos marcaram várias gerações de jovens e adultos, assistindo-se a um brotar de filmes que abordavam de modo mais profundo temas controversos, em que no caso das narrativas amorosas envolviam um patamar muito mais carnal e proibitivo que nos clássicos romances de décadas anteriores.

Orquídea Selvagem (1990) não foi de facto a primeira aproximação a relações "proibidas" no cinema. O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes em 1981 (adaptação do original de 1946 ), 9 Semanas e Meia (1986) e Atracção Fatal (1987) criaram sem dúvida a base que permitiria o aparecimento desta obra mais tarde, destacando-se das demais por dois inquestionáveis factores: uma bela e desconhecida actriz a representar o alvo de luxúria do irreverente Mickey Rourke, assim como o cenário de fundo passado no paradisíaco Brasil, nomeadamente em Salvador da Bahia e Rio de Janeiro. Um perfil diferente dos cenários urbanos norte-americanos dos anteriores filmes referidos.

Se considerarmos o quotidiano entediante da maioria das pessoas é desprovido de emoção, sonhos e fantasias, existirá sempre uma enorme dificuldade em aceitar que vida tenha situações tanto de improváveis como apaixonantes!

O filme conta a história de Emily Reed (Carré Otis), uma jovem e inocente advogada estagiária oriunda do Kansas, cujo sonho em viajar pelo mundo a leva a acessorar um negócio imobiliário no Brasil, acompanhada pela sua superior, Claudia Dennis (Jacqueline Bisset). Já no Brasil, o negócio que envolve milhões sofre um revés, obrigando Claudia a viajar de imediato para a Argentina, deixando para trás a ingénua estagiária. Hospedada num hotel de 5 estrelas, Emily acaba por conhecer um ex-amante milionário de Claudia, James Wheeler (Mickey Rourke), desenrolando-se a partir daí toda a intriga do filme, conduzida por um impulsivo e traumatizante controlo emocional imposto pelas dificuldades em lidar com sentimentos demonstradas pelo magnata.

Qualquer intelectualóide que se disponha a avaliar este filme poderá considerar a história absurda, impossível de associar à realidade. De facto, se considerarmos o quotidiano entediante da maioria das pessoas é desprovido de emoção, sonhos e fantasias, existirá sempre uma enorme dificuldade em aceitar que vida tenha situações tanto de improváveis como apaixonantes. Que não minha opinião, são magistralmente evidenciadas nesta obra.

Uma nota final interessante; fruto do relação das personagens assim como do envolvimento de todos os magníficos cenários do filme, Carré Otis e Mickey Rourke iniciaram uma relação que durou seis anos, tendo ambos contracenado no filme Exit In Red em 1996.